
O ladrão de mel
Albrecht Dürer
(1514)
Se o ser humano tivesse consciência eterna, talvez seria absolutamente soberbo e fútil para as mais obscuras paixões e para os mais sublimes amores. Se não houvesse nenhum laço sagrado que alimentasse o ser humano em suas relações, a existência seria apenas solidão, angústia e desespero. Mas, então a renovação é o instrumento sublime para fugir dessas condições horripilantes que não podem condicionar a vida em toda sua dimensão. E para renovar é preciso recorrer à poesia, à música, à natureza, à filosofia - às coisas que harmonizam a alma. Todas essas renovações estão sempre sob custódia daqueles que compreendem os desatinos da vida. É a atividade de um amante que canta a beleza do mundo e atende a escolha do coração com descencia e fidelidade ao sagrado.
Atender o coração é a tarefa de um heroi. O heroi se mantem fiel ao seu amor e ao combate diurnamente contra as armadilhas do esquecimento. O heroi ama. O amante ama. Ninguém é punido por amar. Não! Nunca se pune as pessoas que amam, pois para os amantes tudo é grandioso demais para se perder em torturas. Todo amante é heroi. Todo amante representa o que há de mais sublime na existência humana. Assim como o heroi representa o que há de mais grandioso nos desejos humanos. O amante e o heroi são aqueles que incondionalmente amam... Eles possuem as chaves dos céus e dos infernos e as mantém sob sua tutela. Querer tais chaves é sempre um risco, mas quando não se sabe o caminho a seguir, todos caminhos nos levam ao lugar que desejamos...
Danilo Dornas é um amante.
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