22.7.11

A missão de Cronos

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Foto: Danilo Dornas

Era uma vez, na Noruega, com a queda do preço do run, os comerciantes atiraram ao mar alguns tonéis da bebida para que o feito faça subir o seu preço novamente. Essa foi uma estreita manobra, talvez perdoável e necessária para enganar a própria consciência da realidade. Porém, será que nossa consciência realmente necessita de tanta manobra da realidade? Ou ainda será que alcançamos a plena arte de nos iludir? Contudo, a mais elevada ilusão humana é a fé. A fé é um sentimento de predestinação. É pensar no futuro, de forma imaginária ou ideal, com todas perfeições que conseguimos projetar em nossa consciência. Não posso resolver os problemas do futuro, pois isso, para mim, é como uma traição ao presente. Tentar resolver problemas futuros é uma patologia da qual se espera estar curado o mais rápido possível. Para aqueles que não tem preocupação com o destino, a vida implica suficientes encargos, e os aborda com o sincero amor e a existência não será em vão. Não indignes ao ouvir que o amor não é um instrumento para ir além, para mergulhar no destino e nem construir um futuro. O amor é o presente. O proprio Heráclito, o filósofo obscuro, afirmava que não é possível mergulhar-se duas vezes num mesmo rio. Uma atenção ao presente é o que o amor necessita. E considerar o presente é admirar os detalhes, as formas e a vitalidade da pessoa amada. Portanto, pensar o presente é admitir que é necessário ir além à cada fração de segundo do aqui e do agora.

Danilo Dornas

1 comentários:

Dick Daymoon disse...

Sendo assim... vivamos a eternidade contida em cada segundo do agora degustado...