
Todo começo significa adquirir a consciência dos problemas. E os problemas são as dúvidas que repelem e aniquilam todas as coisas certas, mas que traçam caminhos que nos impõe o desconhecido e o fascinante. Isto me lembra um filme que um personagem suspira: - "como é interessante quando a audácia e o medo se coincidem". Uma vez, li um poeta espanhol, que dizia:
O jardim tem uma fonte
e a fonte uma quimera
e a quimera um amante
que se deixa morrer de tristeza.
Isto significaria que no mundo existem jardins, haveria também quimeras e estas seriam capazes de arrebentar qualquer transeunte do mundo, cuja fonte é o amor e ao mesmo tempo um monstro. Não por acaso que escolho a obra Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (1547-1616), como aquela que arrebata toda a minha experiência de viver e de amar. A mágoa de Dom Quixote não foi por confundir os moinhos de vento com gigantes, mas a de perceber que existem gigantes! E, por isso, ele combateu sem pestanejar os tais gigantes, mesmo após do alerta de Sancho Pança que aqueles "gigantes" eram apenas os moinhos de vento de um jardim. Mas, minha pergunta diante desta aventura quixotesca seria: como é possível magoar com algo que nunca vimos? Ou seja, sempre mantive como postulado que as quimeras, os gigantes; assim como os unicórnios, os pégasos e os minotauros não existem e então eles não poderiam magoar ninguém. Entretanto, magoaram Dom Quixote! No fundo, se há problemas ou quimeras nos jardins; se um amante pode morrer de tristeza, como diz o poeta, é um indicativo de que sempre há um esforço em culpar o mundo exterior pelas decisões, pelos caminhos assumidos em vida, e talvez este seja o motivo da mágoa de Dom Quixote, pois ele escolheu o caminho de ser um cavalheiro andante após se cansar de ler as teorias dos livros medievais.
Já que a consciência dos problemas é o começo, como eu disse, a dúvida deve ser aplicada às quimeras, aos monstros e às coisas da imaginação. Só que o jardim, o poeta e o autor Miguel de Cervantes são reais. Assim como os protagonistas da vida são reais e devem sempre manter a consciência dos problemas e das mudanças, além de saber que os problemas e as mudanças são necessários para desvincularmos da rotina e do cotidiano.
Como se pode perceber, faço aqui uma advertência capital. É um tesouro para quem sabe ler e para quem ousa me interpretar. Ambos estarão motivados pela curiosidade e isto faz com que surja o afã da compreensão, desencadeando o mistério e a dúvida como instrumentos de conhecimento. É esta espécie de segurança que posso oferecer sobre a realidade. Portanto, esta segurança que eu posso oferecer é o livre acesso à minha intimidade, aos meus pensamentos e às minhas palavras. Se tais ofertas ainda constituem mistérios ou ainda contribuírem para as dúvidas, então se sintam como Dom Quixotes e combatam os gigantes, mesmo que eles sejam apenas moinhos de vento. Ao combater os problemas que apresento, volto a ser o jardim e, talvez, um jardim da saudade.
Danilo Dornas é filósofo.
e-mail: danilodornas@uol.com.br
Blog: http://paideiadigital.blogspot.com/
O jardim tem uma fonte
e a fonte uma quimera
e a quimera um amante
que se deixa morrer de tristeza.
Isto significaria que no mundo existem jardins, haveria também quimeras e estas seriam capazes de arrebentar qualquer transeunte do mundo, cuja fonte é o amor e ao mesmo tempo um monstro. Não por acaso que escolho a obra Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (1547-1616), como aquela que arrebata toda a minha experiência de viver e de amar. A mágoa de Dom Quixote não foi por confundir os moinhos de vento com gigantes, mas a de perceber que existem gigantes! E, por isso, ele combateu sem pestanejar os tais gigantes, mesmo após do alerta de Sancho Pança que aqueles "gigantes" eram apenas os moinhos de vento de um jardim. Mas, minha pergunta diante desta aventura quixotesca seria: como é possível magoar com algo que nunca vimos? Ou seja, sempre mantive como postulado que as quimeras, os gigantes; assim como os unicórnios, os pégasos e os minotauros não existem e então eles não poderiam magoar ninguém. Entretanto, magoaram Dom Quixote! No fundo, se há problemas ou quimeras nos jardins; se um amante pode morrer de tristeza, como diz o poeta, é um indicativo de que sempre há um esforço em culpar o mundo exterior pelas decisões, pelos caminhos assumidos em vida, e talvez este seja o motivo da mágoa de Dom Quixote, pois ele escolheu o caminho de ser um cavalheiro andante após se cansar de ler as teorias dos livros medievais.
Já que a consciência dos problemas é o começo, como eu disse, a dúvida deve ser aplicada às quimeras, aos monstros e às coisas da imaginação. Só que o jardim, o poeta e o autor Miguel de Cervantes são reais. Assim como os protagonistas da vida são reais e devem sempre manter a consciência dos problemas e das mudanças, além de saber que os problemas e as mudanças são necessários para desvincularmos da rotina e do cotidiano.
Como se pode perceber, faço aqui uma advertência capital. É um tesouro para quem sabe ler e para quem ousa me interpretar. Ambos estarão motivados pela curiosidade e isto faz com que surja o afã da compreensão, desencadeando o mistério e a dúvida como instrumentos de conhecimento. É esta espécie de segurança que posso oferecer sobre a realidade. Portanto, esta segurança que eu posso oferecer é o livre acesso à minha intimidade, aos meus pensamentos e às minhas palavras. Se tais ofertas ainda constituem mistérios ou ainda contribuírem para as dúvidas, então se sintam como Dom Quixotes e combatam os gigantes, mesmo que eles sejam apenas moinhos de vento. Ao combater os problemas que apresento, volto a ser o jardim e, talvez, um jardim da saudade.
Danilo Dornas é filósofo.
e-mail: danilodornas@uol.com.br
Blog: http://paideiadigital.blogspot.com/
6 comentários:
este sim é um blog
merecedor de atenção
adicionado aos favoritos
não há um texto que eu nao reflita
PARABENS
vc tem futuro.
jardim das certezas = vida
jardim das incertezas = morte
entendi direitinho, Sr. Misterioso?
confesso q reconheci a q foto eh de um cemiterio e sua ultima palavra "jardim da saudade" geralmente eh nome de cemitério...
desvendei o enigma do texto?
bonito texto
beijos
Lindo!Mto bonito mesmo.Adorei o texto.
Bjins.
http://djavus.blogspot.com/
Fino o texto!
Passa lá no meu blog tem texto novo muito legal sobre o Bush, não esqueça de comentar. Bjos Giovana Capixaba
Postar um comentário