24.7.08

O Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo - revelações humanas sobre o monoteísmo.

Peregrinação à Meca (Hajj)

Eu penso que devemos compreender os conceitos comuns entre as principais religiões monoteístas do mundo – o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Para tal tentei resgatar alguns dos principais argumentos retirados dos livros sagrados e de documentos históricos e filosóficos sobre o assunto.
O livro sagrado dos mulçumanos possui a mesma tradicional ordem das demais religiões: de Adão a Maomé. Por isso, destacamos a aproximação entre Judeus, Cristãos e Mulçumanos sob o manto de um Deus único. O que difere o Islã das demais religiões pode ser explicado pela dificuldade da língua árabe ou a pela essência do Islamismo que destaca as diferenças das demais religiões monoteístas do que ressaltar o que há de comum entre elas. No entanto, o mais importante se destaca quando, apesar das incompreensões, o Islã não despreza jamais os profetas das outras religiões como: Noé, Abraão, José, Jacó, Moisés, Jesus. Certamente, o que difere os mulçumanos seria a crença na última revelação dada pelo sétimo profeta Maomé, que é inaceitável para os cristãos e para os judeus. O que para mim chama atenção no Islã é que ao mesmo tempo em que repelem judeus e cristãos, ele acolhe o Judaísmo e o Cristianismo. Para muitos uma contradição do texto do Alcorão, para mim é o que em religião poderíamos chamar de Mistério. Por que a repulsa chama mais atenção do que o acolhimento é algo que podemos debitar à nossa natureza humana.
Ainda assim, não podemos confundir o Islã como uma religião violenta. Apesar, da ênfase nas diferenças, os mulçumanos, em sua essência, não são violentos. A violência que por ora aparece na mídia é de responsabilidade de grupos minoritários que confundem certas passagens do Alcorão. Para demonstrar isto, devemos nos remeter à história do Islã. E, verificando a própria história do Islamismo nos deparamos com uma religião que foi criada de forma conturbada.
Porém, isto não difere o Islã das demais religiões monoteístas. Lembramos que o Catolicismo, em sua implantação, teve seis papas assassinados, 35 foram martirizados, quatro morreram no exílio, dois foram mortos em decorrência de ferimentos em motins, dois morreram na prisão e oito foram depostos. E ninguém pode negar que a mensagem original de Cristo foi a de amor ao próximo e a paz. A origem do Islamismo é semelhante. No entanto, a confusão em torno do Islã é que após sua criação, no século VI, o seu crescimento foi extraordinário colocando sob a tutela os judeus e os cristãos, que passaram a disputar territórios santos. E ninguém pode negar que este crescimento e esta disputa ocorreram pela espada. Ainda que, para os mulçumanos, a expansão pela espada não fazia sentido, uma vez que o Alcorão proíbe conversões forçadas. E se observarmos a história das outras religiões – judaísmo e cristianismo – também houve violência na expansão. Basta lembrar que a pena de morte está presente no Êxodo, Levítico e Números – que pertencem ao Pentateuco e os cristãos não descartam. Ao todo, são 15 os crimes punidos com a morte: adultério, sexo com animais, blasfêmia, falso testemunho, falsos profetas, idolatria, incesto, insubordinação às decisões dos juízes ou sacerdotes, estupro de mulher prometida em casamento, bater ou amaldiçoar pai ou mãe, não respeitar o sabat, feitiçaria e adivinhação, assassinato.
Entretanto, concluir que o judaísmo, o cristianismo e o islamismo são religiões violentas é uma leviandade. Nas três religiões, as situações de violência são decorrentes de momentos históricos específicos e eternizar estes momentos seria um erro exegético. Não há sequer um mandamento que mande alguém praticar violência, embora alguns grupos desejassem interpretar desta forma.
Então, se o Islã não é uma religião violenta, por que lhe são atribuídos atos terroristas? Osama Bin Laden, um herdeiro milionário, teria dito ao assumir os atentados de 11/09 que nós, ocidentais, pensamos na vida, enquanto eles pensam na morte. Bom, vejamos, há de fato terrorista entre os mulçumanos. São grupos pequenos, mas existem. E eles existem graças a um filósofo mulçumano do século XIII chamado Ibn Taymiyya e outro do século XVIII chamado Al-Wahhab que formam a base deste pensamento chamado salafi. A palavra árabe salafi significa os tempos pioneiros do Islã. Ou seja, são fundamentalistas mulçumanos, os mesmos responsáveis pelos atos de terrorismo, que desejam adorar apenas o Deus único. Acontece que tais fundamentalistas não querem intermediários para se chegar a Deus (inclusive limitam Maomé). Até aí são apenas fundamentalistas, normal em qualquer religião, e querem buscar os fundamentos da fé, que também é normal em qualquer religião. O problema passa a existir quando estes fundamentalistas se mostram totalitários. E esta passagem significa o desejo deles de forçar o mundo a uma conversão mundial. Daí, quando um grupo minoritário passa a entender que todos devem se converter e empregam a força, nasce o terrorismo.
Os objetivos dos terroristas é espalhar o jihad, que significa uma missão pessoal de buscar e conquistar a fé. Uma espécie de guerra santa, porém com aspectos altamente individuais. Os cinco objetivos da jihad são: Deus é o nosso objetivo, o Mensageiro é nosso exemplo, o Alcorão é a nossa Constituição, o jihad é o nosso método e o martírio é o nosso desejo. Tais objetivos são repetidos pela chamada Irmandade Mulçumana, que são grupos que influenciam pequenas células – Al Qaeda, inclusive, cujo significado é A Base – para livrar o mundo da jahilliyyah (a ignorância da humanidade antes que o Alcorão fosse revelado). Para este grupo o mundo que não conhece o Alcorão está num período de ignorância e por isso, merece a chance de converterem, se houver alguma resistência, devem ser combatidos. Portanto, o jihad é um mandamento de Deus para espalhar o Islã por toda a Terra e é isto que move um mulçumano que queira se tornar mártir – e não suicida – a se tornar um homem-bomba.
Portanto, qualquer semelhança que tentar impor ao Islã com atos terroristas não passa de uma leviandade. Isto ocorre, sobretudo, por causa da confusão e da incompreensão sobre a religião Islã. E mais, as religiões sempre têm pessoas que se sentem na obrigação de buscar os fundamentos da fé, o que é aceitável. Mas, neste fundamentalismo pode residir alguma vontade de impor, o que é inaceitável. A solução poderia ser a busca pela liberdade. Porém, isto soa de uma forma tão distante, sobretudo, se considerarmos os governos ditatoriais que ainda insistem em existir por ali. O futuro é incerto. Ainda mais quando grupos totalitários acreditam que falam com Deus.

Danilo Dornas é filósofo
Membro do Centro de Estudos em Filosofia Americana.
e-mail: danilodornas@uol.com.br

8 comentários:

Zahar disse...

i enjoyed reading your text very much, it explained that islam is not a strange and foreign religion that the people of the world especially westerners have learned to fear and loathe. if you look into any religion, you find things that seem strange or that the human mind cannot comprehend. in islam we are taught that every rule and law is based on intelect and rationalization. if you search for the reason a law is ordered in our religion, you will be presented with a valid arguement. of course, we are taught that our knowledge in everything is growing rapidly each and every day so there may be things that we do not completely understand yet, but may understand later or in the future. just like knowledge which never stops to amaze us, the koran reveals new aspects of itself as we acquire a better understanding. one of the differences of the koran with the torah or bible is that the koran is a book that shows us how to live our everyday life but also has social rules and standards, and even government rules that include taxes, religious leaders,... it is a complete book but the reader must be careful not to misinterpret it. just as you have mentioned, osama bin laden is also supposedly a "muslim". but do the peaceful and rational muslims of the world applaude or approve of his behavior? no, he is regarded as a criminal in our country too. for example, in iran the taliban are feared and hated, we think of them just the same as westerners. it was interesting for me to read about the ibn taymiyya, i wasn't informed on the subject and did not know where the idealogy of such horrific acts originated from. so, i hope i can have the chance to read more about your interesting excerpts, whether about religion & philosophy or anything else you teach. take care :)

Anônimo disse...

muito bom,gostaria qu colocasse mais fotos!!!

Anônimo disse...

gostei mais queria ver mais himagens

Anônimo disse...

Oi agradável este blog está muito posicionado.........bom trabalho :)
Amei faz mais posts deste modo !!

norma disse...

mandou bem......parabens.

zeka disse...

Parabéns bem explicativo mto bom...

Anônimo disse...

mandou muito bem
vou passar em uma prova por esse assunto.....

$ol@ng& disse...

Obrigada pela narrativa, estou ministrando aulas de religião foi muito bem aceito e comentado seu texto em aula, as duvidas peresistem, mais é bom descobrir mais as religiões, além da nossa.
Solange